sexta-feira, 3 de junho de 2011

Em meio ao 'caos aéreo', o conveniente ocultamento de um canalha



Coluna do editor Alexandre Garcia no telejornal matutino da Rede Globo nesta sexta-feira, 2. jun., lembra que o chamado 'caos aéreo', há anos instaurado no Brasil, ainda não terminou. E neste particular tem razão o dito 'jornalismo global'

O caos não terminou, fundamentalmente, porque segue frouxa a regulação das empresas de transporte aéreo, seguem gritantes as deficiências de infra-estrutura aeroportuária e segue criminosamente precário o sistema de controle do espaço aéreo.

Há cerca de cinco anos o então Ministro da Defesa, Waldir Pires, homem público da mais larga envergadura, foi imolado e praticamente reponsabilizado pela opinião pública por estrondosos acidentes ocorridos com jatos de duas grandes companhias aéreas, um no aeroporto central de São Paulo, outro nos confins da Amazônia.


Colhida pela seqüência de tragédias poucos meses de seu início, a administração de Pires foi acusada de toda a sorte de incúrias e omissões, como se entre março e outubro de 2006, ou mesmo até julho de 2007, no curto intervalo transcorrido entre a posse do ministro e os acidentes, pudessem ser adotadas providências hábeis a evitar aqueles funestos acontecimentos, que se deram, aliás, em circunstâncias e por motivos totalmente diversos entre si. 


Fato é que, após um doloroso calvário, Waldir Pires foi exonerado e a seu posto foi guindado o oportunista Nelson Jobim, que assumiu o cargo com um discurso arrogante e hostil contra seu antecessor, seguido de ações de puro
marketing pessoal, em tom folclórico e à beira do ridículo, como visitas à tropa em uniforme de campanha.

Passado um inteiro lustro, ou meia década, o escroque Jobim segue instalado na cadeira de ministro
 — há tempos, porém, convenientemente emudecido  sem que nenhuma medida relevante tenha sido tomada no sentido de aumentar o grau de segurança da aviação civil no País, ou de adequar o sistema à demanda exponencialmente crescente, sobretudo à vista realização de grandes eventos esportivos num futuro cada vez mais próximo.

É bem verdade que desde o último mês de março a competência para estabelecer políticas para o setor da aviação civil migrou para uma nova secretaria especial, ligada diretamente à Presidência da República. 


Mas procuremos nos lembrar: Quantas vezes o nome de Jobim vinha sendo mencionado pelos meios de comunicação em associação com o permanente 'caos aéreo' ao longo de tantos anos vivido? Quando se chama às falas a omissa e inepta Agência Nacional de A
viação Civil - ANAC, ou a corrompida Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária - Infraero, por que afinal se esquece de que foi, até dois meses atrás, o Ministério da Defesa o órgão supervisor daquelas entidades?

A todos 
— do imoral 'partido da imprensa golpista', dito P.I.G., passando pela débil oposição no Congresso, até o núcleo decisório fundamental do governo  parece que interessa poupar o Ministro da Defesa do desgaste de malograr fragorosamente na missão para a qual, à custa de um cruel atentado moral contra o venerável Waldir Pires, o abjeto Jobim fora escalado em 2006.

Parecem-me ainda longe de vir a lume as razões de tal comportamento. Faço, cá com meus botões, um ou dois  pares de especulações a respeito. Quaisquer sejam as respostas, importa, antes de tudo, dar-se conta desse estranho e obscuro fenômeno.



O inqualificável Nelson Jobim, covardemente encoberto
pelos segmentos políticos aos quais interessa dissimular
seu absoluto fracasso como Ministro da Defesa


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